Primeiro brasileiro a cruzar África de bicicleta enfrenta tombos e pedradas



Já imaginou cruzar 12 mil km de bicicleta pelo interior da África? Alexandre Costa Nascimento encarou o desafio e suou frio ao cruzar a fronteira entre o Egito e o Sudão, onde precisou esconder que era jornalista, devido a questões políticas. Ele acampou em endereços isolados, no habitat natural de animais selvagens como leões e elefantes, e foi vítima de crises fortes de diarreia após ingerir alimentos não recomendados para estômagos sensíveis, na Etiópia e em Botsuana. Também foi recebido com pedradas, cuspidas e fezes de animais, em vilarejos onde estrangeiros ainda são figuras raras.

Ainda assim, Alexandre conheceu boa parte do continente naquela que é considerada a mais longa prova do mundo do ciclismo: o Tour d'Afrique. Jornalista, ciclista e amante da África ("não necessariamente nessa mesma ordem", como ele mesmo define), o jornalista acaba de lançar o livro "Mais que um leão por dia" (editora Nossa Cultura), em que narra a jornada entre o Egito e a África do Sul sobre uma bicicleta.

Não se trata de quantos quilômetros você acumulou. O mais importante é contabilizar quantas pessoas sorriram para você durante o dia ou as experiências marcantes.
Alexandre Costa Nascimento, autor de "Mais que um leão por dia"

Alexandre é considerado o primeiro brasileiro a se meter em tal aventura. A obra até poderia ser um relato entediante de uma viagem sobre duas rodas pela parte oriental da África. Mas o autor não se agarra a informações técnicas só para ciclistas: ele oferece um visão dos 11 países africanos pelos quais passou a bordo da Safarini (apelido carinhoso que deu à sua magrela) durante a 11ª edição da prova de ciclismo, em 2013.

Mais do que querer chegar ao próximo acampamento, Alexandre sempre fazia questão de parar para mais uma fotografia, conversar com um local ou qualquer outra coisa que tivesse vontade. Para ele, não havia limite entre ser ciclista e turista.

"Em tempo integral, fui um ciclista-observador desfrutando a experiência africana. Por questões de segurança, a única regra era não pedalar após o pôr do sol, mas nunca deixei de parar para tirar uma foto ou tomar um banho de rio. Não se trata de quantos quilômetros você acumulou. O mais importante é contabilizar quantas pessoas sorriram para você durante o dia ou as experiências marcantes", contou Alexandre ao UOL Viagem.

A exigente jornada ciclística começa no Cairo, no Egito, e segue rumo ao sul pelo Sudão, Etiópia, Quênia, Tanzânia, Malauí, Zâmbia, Botsuana, Namíbia e termina na Cidade do Cabo, na África do Sul. O 11º destino, o Zimbábue, foi uma esticada que Alexandre deu por conta própria.