Bunny Wailer é entrevistado pelo o Jornal Commercio e fala da falta de respeito ao rastafári



"Rastafári não tem a ver com grana, mas com a repatriação para a África e para o Imperador Haile Selassie Jah Rastafári" Bunny Wailer.

Bunny Wailer, sobrevivente, da formação original dos Wailers, com Bob Marley e Peter Tosh, se apresenta sexta, no Clube Português, no Kaya! Festival, que tem ainda como atrações as bandas Yute Lions (RJ), Caravana do Reggae e Trindade Dub. Contrariado com os rumos que o empresário Chris Blackwell, da gravadora Island, deu aos Wailers e ao reggae, Bunny Wailer (nascido Neville O'Riley Livingston, em 1947), deixou os Wailers, depois no início da carreira internacional do grupo, mas já era uma lenda. Ele não apenas tocou com Bob Marley. Cresceram juntos, na mesma casa. Com  a entrada de Peter Tosh na banda conseguiram sair da favela de Trench Town para levar o reggae e a religião rastafári para o mundo. Bunny Wailer concedeu entrevista ao JC, onde comentou de uma polêmica com o rapper Snoop Dogg, as tretas com os vendilhões do templo do reggae.

JORNAL DO COMMERCIO – Seu último disco, na verdade, uma caixa, foi intitulada Reincarnated Souls. Snoop Dogg tem um filme chamado Reincarnated. O senhor batizou a caixa como uma espécie de resposta a Snoop Dogg?

BUNNY WAILER – Fomos contactado por by Snoop Dogg o contato de negócio não foi correto, e hoje em dia estamos bem avançados nos direitos de propriedade intelectual do Rastafári Millennium Council. É um negócio como outro qualquer os direitos Rastafári.

JC – O senhor fez alguns comentários sobe Snoop Dogg ter usando a religião Rastafári para ganhar dinheiro.

Bunny Wailer – A cultura rasta é uma indústria de uma maneira de viver multibilionária comandada pelo reggae, e a influência dos Wailers, Bob Marley, Peter Tosh e eu mesmo. Então é assunto complexo cuidar de como esta influência é utilizada. No atual estágio da nossa evolução, enquanto a fonte Rastafári devemos ser respeitados pelas leis internacionais e práticas morais, em relação à utilização do conhecimento e expressões da tradição. Não apenas dinheiro. Mas a maneira como alguém que você influenciou está usando este poder e querer determinar quem você é. Rastafári não tem a ver com grana, mas com a repatriação para a África e para o Imperador Haile Selassie Jah Rastafari, O Todo Poderoso. Nós os verdadeiros rastas temos que zelar para ter certeza o comércio não mudará o aspectos fundamentais de nossa cultura e filosofia.

JC – É comum pessoas famosas virem à Jamaica para fazer este tipo de coisa? Quer dizer, usar a religião rasta, o reggae apenas para ganhar dinheiro?

Bunny Wailer - Tudo que é popular atrai, então somos motivo de atração porque vencemos a opressão, a escravidão, a discriminação dos nossos direitos de voltar para a África. Não dispomos, no entanto, posse para tal, portanto o dinheiro devem ser divididos com a nossa cultura da maneira convencional, e no futuro ser administrada por nós.

JC –  O senhor se auto denomina O Sobrevivente. Qual a sensação de ser um dos fundadores de um gênero musical que é tocado no mundo inteiro?

Bunny Wailer – Uma grande responsabilidade já que a música é sabidamente rastafári, então não podemos nos perder na popularidade da música. Como você deve saber os Wailers são o grupo mais pirateado da história da música. Isto pela maneira como o negócio é estruturado fora da Jamaica, onde não temos proteções legais, e pessoas como Chris Blackwell acha que os nossos direitos (N- refere-se ao dono da gravadora Island, que lançou os discos de Bob Marley e dos Wailers)

JC – O Senhor gosta do que as novas gerações fazem com reggae?

Bunny Wailer – Gosto de todos os artistas que disseminam a música globalmente. É tudo a mesma cena pra mim, e não distinguo ninguém em particular. Apenas quero que o que aconteceu no passado não continue ocorrendo. Gosto da música, mas não como os direitos são direcionados e protegidos.

JC – Você e Bob Marley cresceram juntos, quando descobriram que tinham talento para a música?

Bunny Wailer – Introduzi Bob Marley na música, quando minha família mudou-se de Kingston para Nine Miles St. Ann. Fiz uma guitarra com uma caixa, e mostrei a Bob como se tocava to play. Foi meu pai que trouxe o primeiro toca-discos para a comunidade.

JC - O que vocês tocavam e cantavam antes do reggae?

Bunny Wailer – Nós desenvolvemos a industria musical jamaicana do ska para o reggae. Nossos primeiros discos pelo selo do Studio One mostram isto.

JC –  Depois veio Peter Tosh, quando o senhor o conheceu?

Bunny Wailer - Robert e eu, em Trench Town, éramos a extensão de uma família. Tínhamos uma irmã em comum por parte de pai,-, Então vivíamos como irmãos. Peter entrou na nossa vibe em Trench Town.

JC - Os Wailing Wailers tinham um líder na época?

Bunny Wailer – Os Wailers nunca tiveram um líder, o líder era a banda, come se tivesse numa competição, não havia um líder individual. Não tinha a ver com um o indivíduo, mas em como se manter como grupo. De maneira que tudo era determinado pela sonoridade harmoniosa. Todos nós nos sabíamos líderes, como acontece até hoje,

JC - Por que o senhor saiu da banda às vésperas dela se tornar aclamada internacionalmente?

Bunny Wailer – Não acho que sai da banda. Nenhum de nós pensava assim. o que aconteceu foi devido a manipulação de Chris Blackwell/Island Records. Por causa disto é que há tanta confusão a respeito de quem é Bob Marley e os que foram os Wailers. Apenas um nome, Wailing Wailers ou The Wailers. Os grupo era formado por três integrantes que eram iguais nos negócios e na evolução. Porém vieram as muitas influências de Chris Blackwell.

JC - A propósito, o que o senhor acha dos caras que viajam pelo mundo sob o nome de The Wailers?

Bunny Wailer – Todos esses wailers são músicos, não a banda que criou 12 anos de catálogo, a partir de ensaios em Trench Townown in 1962, até Catch a Fire e Burnin na Island.

JC- E a família de Bob Marley, o senhor tem contato com Rita Marley ou os filhos de Bob, há alguma afinidade entre o senhor e eles?

Bunny Wailer – O problema não é a família de Bob Marley, o que Chris Blackwell esquematizou para usar Rita e o espólio de Robert para perpetuar sua fraudulenta conversão da banda.

JC – No Brasil tem muitas bandas de reggae, o senhor gosta de bandas de reggae, ou reggae feito fora da Jamaica?

Bunny Wailer - Sim, adoro o grupo Midnite, com quem quero trabalhar. Adoro tudo o que tem rolado, só é necessário que façam negócio da forma correta.

JC - O senhor sabe que sua majestade Haillé Sellasié esteve aqui no Recife, em 1960, a primeira e única vez em que ele visitou o Brasil?

Bunny Wailer – Não sabia disto, mas certamente vou me inteirar disto quando for ao Brasil, saio daqui a algumas horas da Jamaica. Jah bless.

Fonte: www.jconline.ne10.uol.com.br